Jess - Como um Eclipse


Jess
Como um Eclipse

Tem coisas que lembramos com facilidade, e tem coisas que lembramos por partes, um exemplo disso é lembrar de uma situação e esquecer dos nomes das pessoas, outras é acabar lembrando de uma coisa ser azul, mas na verdade era branca, e por ultimo, lembrar de ter feito algo, e desejar não esquecer. Mas o cérebro lhe prega peças, então, para o meu não me sabotar, resolvi transcrever com maior fidelidade possível, a longa historia que a Jess e eu vivemos. Então, sugiro que busque um café, sente-se confortavelmente, e leia com a melhor das intenções.

Esta historia é separada por épocas, logo, como diz o bom senso, vamos começar do inicio;


2008 – AOS 16 ANOS

ADOLESCENCIA E ESCOLA:
2008 – primeiro ano do ensino médio, e eu numa escola diferente, havia me mudado de Carapicuiba para Jaguaré, muitas coisas eram novas nesta época. Entrei numa escola nova e vivi o que todo aluno novo enfrenta, onde sem excessão, todos os outros alunos ja se conheciam a pelo menos quatro anos, e tinham boas amizades uns com os outros. Assim como todo aluno novo numa escola, deve enfrentar questões de ser novo alí, tais como: sentar aonde tem lugar vago na sala, passar um ou dois intervalos só observando as pessoas, e nos momentos em que são feitas duplas para algumas atividades em sala, voce sempre sobra e tem que ser juntado com algum Weirdda sala, e as vezes, o Weirdpode ser voce.

Bom, na adolescencia, e voce com dezesseis anos, sabe que nesse universo primitivo, as pessoas se comunicam somente com empatia por gostos, ou seja, se voce gosta de praticar voley como esporte, logo, voce ira se juntar com a turminha de voley, e assim funciona com as turmas dos funkeiros, as patricinhas, os reggaers e por fim, a tribo que me encaixei, a dos roqueiros, por coincidencia, eramos em maior numero na escola. Logo neste primeiro semestre, me entrosei com os roqueiros e lá, naquele meio, conheci a Jess.


A JESS:
Ah caro leitor, tenho prazer em descrever como a Jess era, além de ter um sorriso perigoso, ela tinha aquela pele branquinha, era magra e com curva de cintura, e digo cintura dos anos 90mesmo. No cojunto, ela estava armada com meias sete-oitavos com uma saia preta e roxa, uma blusinha branca, e aquele cabelo cumprido que passavam da altura da costela flutuante. Um nariz que, como dizia o vocalista da banda IRA! na musica  Poço de Sensibilidade, O seu nariz, furando o vento, com certo ar de autoridadeou seja, ela deixava de forma cósmica, a essencia por onde passava.

-       Detentora de belissimos olhos, sorriso, personalidade e autoridade, a Jess era um mundo, num corpo de menina.

Mas ela tinha um defeito. Voce acha que alguém com todo aquele poder, absurdamente grande que mal cabia numa pessoa de 44kg, estaria solteira aos 16 anos de idade? – Isso seria algo muito difícil de acontecer.

Logo, mantivemos apenas amizade, nunca manifestei interesse, afim de evitar qualquer tipo de constrangimento. Nos encontrávamos de vez enquando durante o intervalo, na livraria, eu selecionava alguns livros de inglês a ela e a orientava. Rolava uma certa tensão ali. Nossos dias seguiram normalmente até as férias do meio do ano.


FÉRIAS, VOLTA AS AULAS:
Volta das aulas, depois de ferias, voltamos mais fatigados ás aulas do que no segundo semestre, afinal, vida de adolescente era assim, tudo era motivo. Não lembra?

Então, lá se vai a primeira aula, que é apenas protocolar, afinal todo primeiro dia de aula, é um dia excelentemente perdido na vida acadêmica de qualquer estudante, independente do grau. O primeiro dia de aula, serve para os alunos voltarem a ver seus colegas e contar sobre o que aprontaram nas ferias.

- O primeiro dia de aula, é o dia mais importante para o pessoal de humanas.

Então, era o dia de re-ver minha turminha de roqueirinhos do mal haha, então, caro leitor, é ali que efetivamente a nossa historia começa, pois ela contou para as amigas que ela e o namorado haviam terminado, e que não tem mais volta.

Não se trata de comemorar a desgraça alheia, digo, a vida é assim, enquanto uns choram, outros vendem lenços.

- Enquanto uns choram, outros vendem lenços.

A DECISÃO:
Bom, então, chegou a hora, eu tinha que fazer algo, estava presente mas não estava preparado, estava com vontade, mas não estava seguro. Mas o tempo é meu inimigo, então tinha que fazer algo e sem entrar em desespero.

Chegou a hora do intervalo, todos saímos da sala e ja enchemos o pátio, todo mundo colorido e o maior som de conversação, isso soou como os tambores para o inicio do primeiro ato, de um acontecimento importante.

THE MOVE:
Lá estava ela, com o seu trio de amigas, são os primeiros obstáculos, mas não representam perigo. Eu estava junto da turma, então, foi o momento e que coloquei os fones de ouvidos, selecionei a musica do All My Life (Foo Fighters), e comecei a andar em direção a Jess. A cada passo, sentia o mundo se mover em câmera lenta, o caminho que era em linha reta, parecia se estreitar, caminhei, o vento batia em meu rosto, sentia cada parte do meu corpo enquanto meu coração acelerava. Chegue até o grupinho, chamei a Jess de lado, e enquanto nos afastávamos das amigas dela, ficaram olhando como quem diz (alguma coisa ta pra acontecer).

O CLIMAX:
Segurei a Jess pelo braço, nos afastamos das amigas dela, a coloquei de frente pra mim, olhei fixamente nos olhos dela, podia ver meus próprios olhos alí. Disse a ela que durante as ferias, havia pensado nela, e no que podíamos fazer se estivéssemos juntos, disse que a achava linda, e que a pessoa que ela era, não cabia em seu próprio corpo, disse que a cada vez que passo por ela, tenho vontade de puxa-la pelo braço e beijar. Quando terminei de falar isso, passei meu braço por sua cintura, puxei ela contra meu corpo (ela deu um pulinho no processo), ficamos próximos, e eu a beijei.

Se meus batimentos estavam ha uns 120bpm, enquanto a beijava meu coração parou, e depois voltou a bater a 140bpm, pois a cada segundo segurava com mais força. Em dado momento, tirei a mão da cintura dela, coloquei as duas em seu rosto, queria sentir ela, e mostrar do que sou capaz.

-       - Anos depois ela me disse, que a deixei de pernas bambas neste dia

A CONSEQUENCIA:
Aquele foi o dia em que a Jess e eu ficamos pela primeira vez. Se eu olhar pra dentro de mim, para meu coração, hoje, diria que aquele dia mudou muita coisa em nossas vidas.


2013 – UM ECLIPSE LUNAR

Para facilitar a compreensão, imagine um eclipse lunar, sabemos que acontece quando a lua fica entre o sol e a terra, isso acontece uma vez e seus próximos acontecimentos são sazonais, ou seja, dependem das orbitas e de outros planetas que ficam entre a terra a lua e o sol, mas independente do momento que demora para acontecer, sabemos que iria acontecer, porque o universo dá voltas. É matemático.

SITUAMOS EM:
Então, caro leitor, em 2013, certamente estamos mais velhos, mais sábios e quem sabe um pouquinho mais maduros, só que jamais estamos prontos para o que o universo nos proporciona. Muitas experiências foram adquiridas e identidades foram formadas.

Mais uma vez, eu trabalhava de madrugada, e lá na zona sul, longe de casa e morando sozinho. Graças a internet, você ainda tem comunicação com pessoas da escola, e uma delas, claro, era a Jess. Que acabara de se formar num curso técnico na área de contabilidade e economia, e estávamos em raso contato.


LUA CHEIA É O OPOSTO DE ECLIPSE:
Um dia, fiz uma publicação sobre o mercado financeiro, era um texto que explicava sobre a importância do capitalismo. Bom, ela curtiu e até comentou. Daí, eu parei um segundo, um sino tocou em minha cabeça, a chamei no inbox e começamos a conversar sobre tal assunto, no fim da conversa a chamei para tomar um café.

Ela disse que topava, mas não foi. Dias depois, reforcei o convite, ela disse que topava, mas não foi de novo. Comecei a desconfiar. Ela ta me enrolando cara!

Passou uma semana, quem sabe duas, e fiquei com aquilo martelando minha cabeça, claro que ninguém é de ninguém, mas quem sabe, poderia ser honesta, não acha? Apenas dizer que não quer ao invés de ficar enrolando. Será que ela queria atenção, que tipo de pessoa ela deve ter se tornado depois de tanto tempo?

- Muitas perguntas e nenhuma resposta

Resolvi que é mais fácil viver com certezas, então, peguei meu telefone, e durante a volta para a casa, as 01:00am, liguei pra ela. A Jess me atendeu, estava em casa, e quando disse que era eu na linha, ja fui direto ao assunto, disse que se não quiser sair para pelo menos tomar um café, poderia simplesmente dizer não e tudo bem, ia continuar meu discurso, só que aí ela me deu um soco telefônico: Ela disse SIM.

Fiquei sem saber como proceder, pois ja havia preparado todo o discurso para o não.


PRÉ ALINHAMENTO LUNAR:
Combinamos de eu buscá-la em seu apartamento, a partir dalí, a levei para uma cafeteria na Granja Viana, ficamos conversando sobre a época da escola, sobre acontecimentos em nossas vidas, amizades em comum, o assunto fluía, e íamos de uma xicara de café para um suco de laranja, e dalí para um milk-shake. Começávamos a redesenhar o perfil e o caráter, retomando novos conceitos sobre o comportamento e maturidade de cada um. Estávamos nos conhecendo pela segunda vez.

O tempo passou rápido (maldita teoria da relatividade). Eram 1:45 da manha, decidimos sair, o destino era a casa da Jess. Mas até ali tem a caminhada do estacionamento. Acho que a questão da caminhada, é como a preparação para algo, é como uma travessia, você passa por uma ponte para chegar ao fim, chegar ao seu destino, alcançar o outro lado, vencer o obstáculo e conquistar seu objetivo.

O ECLIPSE:
Chegamos no carro, abri a porta pra ela, entrou. Dei a volta, entrei e sentei. Me aproximei dela para pegar o cinto, ela ja me olhou como quem estava ha um tempinho esperando algo, então, dei a ela o que esperava. – para os mais leigos: Ficamos de novo, digo, depois da primeira vez que foi em 2007, ou seja, cinco anos de limbo.